20.8.07
Perfume

Enfim assisti ao tão comentado filme "Perfume" (que não é o de mulher), mas sim uma adaptação do livro homônimo Patrick Süskind. É uma produção alemã de um romance assombroso que narra a história de Jean-Baptiste Grenouille, um jovem nascido na França do século XVIII. Ele viera ao mundo em um mercado pútrefo de comércio de animais, onde os cheiros horríveis e a condição insalubre dominavam a Paris daqueles tempos.
Sua mãe dera a luz debaixo de uma barraca de peixes e deixara ali mesmo o bebê recém-nascido para que morresse, pois ela já havia feito isso antes com os outros quatro filhos que gerara.
O diferencial de Jean-Baptiste é que ele nasceu com um dom especial: um super olfato. E o mal-cheiro de seu ‘berço’ o fez chorar e denunciar a mãe assassina. Por causa disso ela foi enforcada. Aliás, todas as pessoas que acolheram Grenouille morreram de forma estranha.
O filme é muito interessante e dá margem a várias interpretações. Obcecado pelo cheiro de uma jovem virgem que acidentalmente ele mata, Jean-Baptiste tem obstinação por aprender como se guardar odores. Daí ele encontra um grande perfumista que o ajuda. A partir de uma lenda contada por seu mestre, Grenouille não descansará enquanto não encontrar as treze notas que fazem o perfume perfeito. A fragrância que dá poder àquele que a elaborou.
O jovem perturbado, nitidamente um psicopata com características de autismo, fará uma experiência escabrosa para descobrir como se reter o cheiro de uma mulher. Comete ao todo treze assassinatos de belas jovens virgens para conseguir elaborar seu perfume. Ao obter a "fórmula" da fragrância ele se torna capaz de mudar seu destino, que seria a morte.
No dia de sua crucificação (sim, isso mesmo), já dentro da cela ele espalha um pouco do perfume no ar e deixa os ‘carcereiros’ impotentes. Veste-se, então, como um lorde e vai sozinho de carruagem até o local de sua execução, uma praça pública repleta de gente revoltada com ele. Mas ele tinha o poder, tinha o perfume perfeito. E ao borrifar a fragrância sobre as pessoas ele consegue um efeito surpreendente: fazer com que todos entrem em êxtase e tenham vontade de transar ali mesmo, todos juntos, uma orgia.
Penso que nesse momento ele percebe o verdadeiro teor de suas experiências monstruosas. Grenouille não havia entendido, até então, que o cheiro, a fragrância daquela linda mulher morta acidentalmente era um desejo sexual não compreendido. Isso é interpretação minha. O órgão do olfato é o nariz, que por sua vez pode ser considerado fálico. Ele queria ter feito amor com aquela moça, mas toda expressão de seu sexo estava voltada para a face, o super olfato, o super falo.
O fim é estranho, um ritual antropofágico. Jean-Baptiste é ‘comido’ pelos miseráveis do mercado onde nascera e onde voltara para terminar seu ciclo.
Vale a pena assistir.
cbianc
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