25.1.09
Cansei de ser boazinha
Ultimamente tenho pensado no que é ser importante. Costumamos pensar que fazemos a diferença na vida das pessoas. Só que é um engano quem se imagina nessa situação. Eu, por exemplo, já me deparei com várias situações nas quais me considerava uma pessoa de grande valia e depois vim a desconfiar que não era nada daquilo. Somos totalmente dispensáveis. Você pode até estar pensando que estou sendo pessimista e me vendo diante de uma desilusão.
De certa forma isso é verdade. Ando desiludida com as pessoas. Constato, a cada dia, que tudo nesta vida é um jogo de interesses. Talvez eu tenha andado boazinha demais, cheia de boas intenções. Depois de analisar algumas situações com as quais estive diretamente envolvida, pude concluir que, de fato, somente para algumas pessoas somos VERDADEIRAMENTE importante.
Se fosse criar uma pirâmede de estratificação emocional, onde seria colocada o grau de importância que tenho para as pessoas, ficaria mais ou menos assim:
- No topo: meus dois filhos e meu marido. Hoje eu sei que sou importante para eles. Pode ser que amanhã possam não me considerar tanto assim. Os filhos crescem, se formam, mudam de vida, se casam, criam seus próprios filhos. O marido, bem, o marido pode conhecer outra mulher, se apaixonar, ir viver a vida dele longe de mim. Mas hoje, nesta data, sei que sou VERDADEIRAMENTE importante para eles.
- No meio: entre o topo e a base encontram-se minha mãe e meus avós (considero minha mãe no meio porque ela não tem só a mim de filha. Tem netos, marido, genros, etc. Sei do valor que tenho para ela, só que é diferente do valor que meus filhos têm por mim). Meus avós funcionam aqui como meus segundos pais, pois ajudaram a me criar.
- Na base: na última camada desta pirâmede encontram-se minhas irmãs, sobrinha, talvez uma tia e uma prima.
Pois bem, dentro desta camada de estratificação pessoal, incluí somente pessoas da minha família, pois descobri que ela é a minha fortaleza e que é pra ela que tenho real importância. O meu pai ficou de fora por motivos que não cabem ser escritos aqui. Os amigos também não entraram, pois não acredito na amizade. Acredito num conjunto de interesses que trazem ou afastam as pessoas do nosso convívio. Neste grupo, chamado de amigo, muitos poderiam dizer que sou importante, que isso e aquilo, mas não é verdade. As pessoas deste grupo não estão dispostas a se sacrificarem por mim. Essas pessoas não abandonam suas prioridades para me atenderem. Essas pessoas, normalmente, são uma via de mão única. Querem atenção, doação, amor incondicional. Mas não têm o hábito de serem incondicionais quando preciso.
Acredito que esse meu ceticismo em relação as pessoas fora do convívio familiar esteja ligado a algumas decepções. Sou uma pessoa que não mede esforços para ajudar, não tenho limites para me entregar. Foi às duras penas que descobri que a RECÍPROCA NÃO É VERDADEIRA. Não adianta, ninguém nasceu para satisfazer as minhas necessidades, para suprir as minhas carências. É cada um por si. Não adianta fazer o papel de boazinha pois não funciona. Cada um tem sua vida que é movida pelos próprios interesses. Neles não estão incluídos parar um tempinho e ligar para saber como eu estou, para me mandar um e-mail dizendo ‘oi’ ou ‘olá’, para responder a uma mensagem minha, para me retribuir um presente, uma visita, nada.
Por isso decidi não mais criar expectativas em relação aos outros. Não quero mais ficar decepcionada com ninguém. Acabei de decidir que meu foco estará voltado para o topo da minha pirâmede, porque até nela serei temporariamente IMPORTANTE. Talvez, com o tempo, quem sabe os netos ou o meu cãozinho estarão ocupando o nível mais alto deste lugar?
cbianc
19:48 — Arquivado em:
"Pra começar, quem vai colar? Os tais caquinhos, do velho mundo…Pátria, família, religiões… e preconceito, quebrou não tem mais jeito! "

